Contrato milionário de aluguel de equipamentos revela possível desperdício de R$ 53 milhões

Há meses todo mundo em Araucária fala dos R$ 460 mil que a gestão Gustavo Botogoski (PSD, ex-PL) quer gastar na locação de iPhones para o alto escalão da Prefeitura. Mas você sabia que isso não é o mais escandaloso dessa contratação?

O Pregão 1/2.026 trata do aluguel de diversos equipamentos e é a síntese do mau uso do dinheiro público. Após o escândalo dos iPhones, o SIFAR realizou uma pesquisa de preço em que foi possível constatar que a Prefeitura poderia economizar no mínimo R$ 53 milhões se comprasse os equipamentos ao invés de optar pelo aluguel.

No Pregão, a Prefeitura pede 2.128 Chromebooks. Para alugar os equipamentos por 48 meses, a administração pode pagar R$ 23 milhões à Iridia Soluções LTDA. Entretanto, o valor médio de compra deste computador no mercado é de R$ 2 mil cada, isso significa que para comprar todos os equipamentos o gasto seria de cerca de R$ 4,2 milhões. São quase R$ 19 milhões a mais em locação de Chromebooks do que o Executivo gastaria com a compra dos equipamentos.

O contrato também fala do aluguel de 2.371 notebooks HP ao preço de R$ 39 milhões à Simpress Comércio Locação e Serviços LTDA. Os notebooks custam em média R$ 10 mil cada e se fossem comprados poderiam custar R$ 16 milhões a menos.

Em tablets da Samsung Active 5, a Prefeitura pode pagar até R$ 20,4 milhões à Microseans S.A, enquanto se comprasse poderia economizar R$ 12 milhões.

Com os celulares a coisa não foi diferente. A Prefeitura poderia economizar R$ 2,1 milhões se comprasse os 326 celulares Samsung A56 e 88 celulares Samsung S25 que irá alugar. Isso sem nem falar do absurdo que é o aluguel de 28 iPhones que podem custar R$ 460 mil aos cofres públicos.

É importante lembrar que essa administração, ao ser questionada sobre problemas reais do serviço público, diz estar sem dinheiro e age como se o município fosse quebrar a qualquer momento. Mas, ao olhar os dados, a pergunta que fica é: o problema é a falta de dinheiro ou a forma como o dinheiro público é gasto na gestão Gustavo Botogoski (PSD)?

Para o aluguel dos equipamentos foram feitos diversos contratos diferentes separados por secretarias. Vários pagamentos inclusive estão em curso. Entretanto, após a pressão da população, a Prefeitura suspendeu parte desses contratos por 60 dias, o que na prática não significa nada ainda.

Ao fim do contrato de locação, os locais de trabalho são obrigados a devolver os celulares, tablets, notebooks etc., muitas vezes sem que outro equipamento tenha chegado para substituição. Isso significa que há perda de dados nessa troca, além da demora para que os trabalhadores tenham acesso a um novo aparelho, prejudicando o funcionamento do serviço.

Todo mundo sabe que muita coisa é salva nos equipamentos, sejam contatos de usuários, planos de aula, relatórios etc. O aluguel impede ou dificulta a migração desses dados, o que não aconteceria se o equipamento fosse do município, sem prazo para devolução.

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Para o levantamento de preços, o SIFAR utilizou a média dos valores de três orçamentos em lojas online. Para os equipamentos não encontrados em mais de duas lojas, utilizamos uma média reduzida com os valores disponíveis. Além disso, cinco itens ficaram fora da pesquisa de preço devido à complexidade das especificações e não foram contabilizados para o cálculo.

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