Ratinho e Gustavo Botogoski roem orçamento público para terceirizar serviços

Gustavo Botogoski (PSD) não escondeu seu entusiasmo nas redes sociais para receber em Araucária, Ratinho Jr. (PSD). E não é para menos, além de serem colegas de partido, Gustavo e Ratinho são farinha do mesmo saco e querem terceirizar, e até mesmo privatizar, tudo o que veem pela frente, favorecendo sempre o interesse de empresários.

Em Araucária, a Prefeitura quer usar a terceirização para acabar com os cargos de motoristas e administrativos, ambos com concursos abertos. Mesmo caminho do governo do estado que já tem mais de 1,3 mil assistentes administrativos terceirizados, a maior categoria de trabalhadores terceirizados de acordo com o Portal da Transparência.  

Para seguir esse plano de terceirização, ambos os políticos seguem uma fórmula muito bem definida. Primeiro, todas as questões apresentadas pela população como saúde, educação, assistência social, energia, saneamento, direitos básicos, são ignoradas. Depois, quando a coisa fica muito ruim, eles aparecem com a “solução mágica” de terceirizar ou vender tudo!

E, enquanto isso, tem uma outra jogada que acontece simultaneamente. Esses políticos, tanto Ratinho, quanto Gustavo, se escondem de qualquer possibilidade de debate público e enfrentamento. Os dois só dão entrevistas para aqueles que tem algum alinhamento político e fogem dos Sindicatos a todo custo!

Você já pode imaginar, portanto, que nenhum deles aparece para negociar com os trabalhadores. Este parece ser o maior pesadelo desses políticos. Inclusive, nos dois casos, só é possível alguma agenda de negociação com muita pressão. E claro, as “negociações” nem poderiam ser chamadas dessa forma, já que são apenas uma sequência de justificativas rasas e politicagem, só para dizer que há diálogo.

Para esta matéria, procuramos o SindSaúde-PR para entender como Ratinho se comporta a nível estadual. O relato da diretoria do sindicato é de que, assim como Gustavo, Ratinho prometeu diálogo na campanha, mas depois, nunca apareceu! Inclusive, desde 2023, os trabalhadores conseguiram apenas três reuniões de negociação com o Secretário de Saúde. Esse modus operandi de fugir do debate com os trabalhadores é idêntico ao que acontece em Araucária e que originou a campanha do SIFAR de “Procura-se o Prefeito”.

Outra semelhança, que não é mera coincidência, é a forma como vereadores e deputados da base aliada aprovam projetos de ambos os políticos com pouquíssima oposição. Os acordos são feitos previamente com os parlamentares, o que permite tramitação em regime de urgência com quase nenhum debate público, priorizando sempre interesses que ficam embaixo dos panos – mas que todo mundo sabe quais são.

Em Araucária, o PL da Exaustão, que possibilitou o aumento da carga horária dos servidores, foi aprovado pela ampla maioria dos vereadores em apenas dois minutos. No estado, a privatização da Copel, foi aprovada em regime de urgência em apenas três dias. Ambos com resistência da população, que agora sofrem com as consequências.

Gustavo, Ratinho, a base aliada de vereadores e deputados estaduais, são farinha do mesmo saco. Eles expressam uma política neoliberal de destruição de direitos da classe trabalhadora. Ao receber Ratinho Jr. em Araucária, Gustavo dá um recado para todos e todas, de que ele quer que este seja o seu legado, o da terceirização, dos interesses próprios, da destruição de direitos. Mas nós, trabalhadores e trabalhadoras, estamos de olho e lutaremos contra isso, eles não passarão ilesos neste processo.

Basicamente, o que governos que seguem a lógica neoliberal tentam fazer é tirar a responsabilidade de direitos como saúde, educação, assistência, cultura das mãos do Estado e colocar nas mãos de empresários – muitos que as vezes são até amigos desses políticos.

E a pergunta que fica é: qual o interesse essas empresas têm em manter um serviço de qualidade para a população? Nenhum. Justamente porque o interesse delas é outro, é a verba pública, o dinheiro, o lucro que o Estado proporciona a elas com os contratos de terceirização ou da privatização.

Imagina uma empresa que todos os meses recebe R$ 3 milhões aqui, R$ 10 milhões lá, R$ 15 milhões acolá e ainda mal precisa prestar contas do que é feito com esse dinheiro? Eles podem pagar pouquíssimo para os trabalhadores, ou até ficar sem pagar, porque suas ações não têm consequência, afinal de contas, para que um contrato seja rompido é preciso muita pressão por parte dos trabalhadores – isso quando não há um acordo prévio com alguém, dificultando ainda mais qualquer rompimento.

E enquanto esse tipo de absurdo acontece sem nenhuma fiscalização, a empresa já recebeu milhões, ou seja, o dinheiro público já foi transferido para os cofres da iniciativa privada. E depois, para justificar os problemas financeiros, os governantes chegam para a população e dizem que os caixas estão magicamente vazios, quando nós sabemos bem onde o dinheiro foi colocado.

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