Greve de Araucária foi movimento de luta com repercussão estadual mobilizando mais de 2 mil servidores com o apoio da população
O serviço público de Araucária passou por mais de uma semana de greve que ganhou repercussão em todo o estado, com mobilizações, atos e uma ocupação pacífica da Prefeitura no começo do mês de outubro. O movimento grevista veio como resposta aos ataques da Gestão de Gustavo Botogoski (PSD, ex PL) com mudanças na Lei Orgânica do Município que abrem margem para que o prefeito mexa no fundo previdenciário dos servidores, que retira o salário e a carreira dos diretores sindicais e ataca a organização democrática da saúde e da educação.
Na última terça-feira (13), a Câmara de Vereadores, liderada pelo Vereador Pastor Castilhos (PL) aprovou, de maneira autoritária e apressada, a Proposta de Emenda à Lei Orgânica (PELO) nº 11/2026, que concentra todos esses ataques. Isso se deu mesmo depois do movimento grevista conquistar o compromisso da gestão, registrado em ata, de que esse projeto não tramitaria sem a emenda criada pelos técnicos do Fundo de Previdência Municipal de Araucária (FPMA).
Essa emenda em questão trata de alterações no art. 71 que criam proteções, excluindo o FPMA, sua organização e os fundos previdenciários, das novas atribuições que a PELO dá ao Prefeito, impedindo que se abra qualquer margem para que essa ou próximas gestões possam mexer no fundo ou na composição de conselheiros eleitos.
Agora, os trabalhadores seguem cobrando o Executivo para que cumpra o que foi acordado em mesa de negociação e envie para a Câmara de Vereadores as alterações que protegem a previdência. Até que isso aconteça, e com a aprovação da PELO 11/2026, o FPMA está desprotegido.
E caso cumpra-se o acordado, a greve terá conquistado uma vitória essencial e sem igual para os servidores e a população, que vai muito além de um acordo com a gestão. Proteger o fundo de previdência com a Emenda da Blindagem é assegurar o futuro do serviço público e impedir que governos passageiros, como aconteceu no Rio de Janeiro e em Brasília, utilizem o dinheiro das aposentadorias como investimento privado.
Para além disso, o movimento grevista de Araucária trouxe luz a problemas graves de um governo municipal de extrema-direita e reuniu a população em prol da causa que afeta a vida de milhares de pessoas no país: o desmonte do serviço público.
A greve continua?
A greve foi suspensa na última assembleia e o movimento agora se torna uma campanha de lutas que será encampada em toda a cidade. Com o apoio de movimentos sociais, representantes políticos e principalmente da população, os sindicatos agora darão início a outras ações para continuar informando os usuários do serviço público e pressionando a Prefeitura e a Câmara de Vereadores.
As categorias continuam atentas aos ataques e a qualquer sinal de atraso nos salários, nos vales ou da não tramitação do projeto de blindagem ao fundo de previdência, a greve voltará.
Estamos organizando também um fundo de greve e uma rifa para amenizar os descontos retaliatórios que a Prefeitura quer fazer com os trabalhadores grevistas, descontando os dias em que estiveram mobilizados.
Para mais informações confira as redes do SIFAR (@sifar.araucaria) ou entre em contato com a assessoria por WhatsApp (41 988131380).


