Orçamento apertado não é só falta de dinheiro, é falta de prioridade da gestão com o serviço público
Durante a reunião com a Prefeitura na Greve do dia 30, os representantes da gestão Botogoski (PSD) reiteraram a impossibilidade de qualquer reajuste aos servidores, seja no vale-alimentação ou com o pagamento da dívida histórica, compromisso assumido pela gestão e agora escanteado. O discurso, impaciente e inflexível, é de que Araucária passa por uma crise financeira de arrecadação.
Não há como ignorar a realidade de que sim, existe um déficit de arrecadação principalmente nos repasses estaduais e federais nos primeiros quatro meses de 2026, segundo comparativo do Relatório de Gestão Fiscal de 2025 e 2026. Mas é de uma ingenuidade gritante acreditar que os R$ 798 milhões gastos no primeiro quadrimestre estão sendo bem utilizados.
Para as terceirizadas tem muito dinheiro
Acompanhamos de perto como a gestão aplica esse dinheiro todo. Ao olhar o Portal da Transparência de Araucária, foram R$ 2,3 milhões para Mega Táxi Brasil em um plano de terceirização dos motoristas. R$ 83,5 milhões para a S3 para manter o Hospital Municipal de Araucária (HMA) terceirizado. Mais de R$ 39 milhões para a Produserv que mantém a limpeza terceirizada. E mais recentemente, R$ 15,7 milhões que planejam colocar nas mãos da iniciativa privada para recepcionistas das unidades de saúde.
Para além disso, a Prefeitura ainda planejava gastar mais de R$ 100 milhões para 2 anos de aluguel de equipamentos em um pregão que foi suspenso temporariamente depois de muita pressão da população. Em uma pesquisa rápida feita pelo SIFAR, com a compra de diversos equipamentos orçados como celulares, notebooks e tablets, seria possível economizar mais de R$ 53 milhões.
Isso sem falar em todos os outros serviços e categorias que já foram terceirizados, com os quais a Prefeitura gasta mais do que se fossem servidores públicos. Além disso, essas empresas não cumprem o seu compromisso com os trabalhadores já que mesmo recebendo da Prefeitura, deixam de pagar, por exemplo, o vale-alimentação, caso que acontece neste momento com as trabalhadoras da limpeza da Produserv que nem este benefício estavam recebendo em dia.
Fácil gastar mal e depois dizer que o dinheiro acabou
Da Prefeitura já esperávamos que essa desculpa seria usada, até porque, segundo cálculo feito com base nos dados do Portal da Transparência de Araucária no mês de maio de 2026, só de Cargos Comissionados a gestão compromete 8% do orçamento total da folha de pagamento, mais de R$ 47 milhões por ano.
A grande questão aqui é permanecer em uma avaliação rasa do orçamento municipal, achando que o dinheiro acabou e utilizando isso para desmobilizar a disputa pelo gasto do orçamento anual que precisa ter prioridades muito diferentes das que estão na agenda da gestão.
Importante dizer que Araucária deve arrecadar mais de R$ 2 bilhões, segundo a previsão da LOA de 2025, e o gasto autorizado dentro do limite prudencial precisa refletir as prioridades da população. Se para que haja melhores condições no serviço público, o acerto da dívida e reajuste para as(os) servidoras(es), é necessário reduzir os CCs e impedir novos contratos e licitações de terceirização, ou seja, lutar contra a verba pública ser jogada nas mãos da iniciativa privada, então é essa a postura que teremos.
O serviço público e a população que o utiliza não podem estar em último lugar na lista de prioridades do gasto público.


